sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

G20: mais do mesmo..



Como esperado o G20 continua empurrando com a barriga a delicada questão do impacto das políticas monetárias expansionistas sobre a taxa de câmbio. Como ela é praticada por vários países do clube, torna-se dificil, para não dizer impossível, tocar no assunto em público. Já nos bastidores e nas declarações em off a história é bem diferente. Guido Mantega reclama, com razão do impacto sobre a economia brasileira, mas não deixa de usar a taxa de câmbio de acordo com a sua conveniência: para manter a inflação sobre controle ou proteger a industria nacional. Oh! dúvida cruel, qual escolher, já que aparentemente é impossível alcançar os dois objetivos com a mesma taxa de câmbio. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. No momento a opção parece ser pela defesa da pobre industria nacional.

O desejo de alguns países é colocar o Japão no tronco devido a significativa depreciação da sua moeda desde novembro. Mas como faze-lo, se política monetária semelhante é adotada pelo Velho Imperio, USA, e também, pelo Imperio em gestação, China. Ninguem está manipulando o câmbio, argumenta a simpatica francesa a frente do FMI, apenas tentanto tirar a economia do coma e com isto beneficiar a todos. Afinal o que é bom para o Imperio é bom, também, para o resto do mundo. Em parte é verdade: o mercado norte-americano ainda tem uma importância enorme para a economia mundial, mas por outro lado o uso do cambio para ganhar vantagens no mercado mundial nunca produziu bons frutos, já que ao ser praticado por vários países torna-se um jogo de soma zero. E dificilmente ele é praticado por apenas um país. Em que pese o discurso do Draghi, ninguem tem a menor dúvida que se necessário for, ele adotara medidas para evitar que apreciação do euro coloque em risco a recuperação da economia da zona do euro.Em outras palavras, a questão cambial é um elefante que insiste em não sair da sala.